The Brown BunnyAntes de mais nada: não, a cena do boquete não é gratuita. Na verdade, é totalmente parte do contexto. Filme insuportavelmente triste, lindas imagens que dão conta de uma paisagem emocional desoladora. A interpretação do Vincent Gallo deve ser das mais vulneráveis que já vi. Não recomendo. Para os padrões atuais de atenção audiovisual, assistir a esse filme deve ser como viajar a 5 quilômetros por hora numa rodovia deserta. Maravilhoso.
Melinda & MelindaWoody Allen permanece um cara neurótico e obcecado pelas mesmas questões de sempre, mas é incrível como continua filmando com tesão e, mesmo movimentando em milímetros seu foco, enquadrando esses assuntos de sempre com ânimo e interesse renovado. Beleza de montagem, juntando duas narrativas diferentes (uma trágica e outra cômica) com classe e fluidez. E, ao contrário do que possa se pensar, não é um filme compartimentado, maniqueísta. A certa altura, rimos da tragédia e engolimos seco na comédia. Os dois gêneros se confundem. Allen sabe o que faz. Will Ferrell é insuperável - melhor alter-ego de Allen de todos os tempos.
A Vida Marinha com Steve ZissouDe chorar. Enquanto escrevo, penso em rever. Wes Anderson fez o que eu não esperava: um meta-filme cheio de possibilidades de interpretação e até mais engraçado do que Tenenbaums. O título é 100% honesto: é um filme de Steve Zissou, à moda dos documentários feitos pelo personagem. O recorte, o mis-en-scene, a deliciosa falta de verossimilhança (as cenas de "ação" são de mijar de rir). Elenco iluminado, Bill Murray no auge, Seu Jorge mandando ver em interpretações maravilhosas de Bowie. Aliás, melhor trilha-sonora em anos. Pode crer que vou comprar em DVD, haja o que houver no Universo ou em minha conta bancária.