Sexta-feira, Fevereiro 18

NOTÍCIA DO ANO

Grifos meus:

Caso Michael Jackson
Sexta, 18 de fevereiro de 2005, 07h50

Pênis de Jacko vai ser mostrado no tribunal - AP

O momento mais bizarro do julgamento de Michael Jackson promete ser uma aparição fotográfica de seu pênis.

De acordo com o investigador particular Ernie Rizzo, contratado pela família do menino que acusou o pop star de molestação sexual em 1993, a suposta vítima do novo caso deve poder descrever em detalhes o órgão sexual do cantor, que tem marcas muito distintas.

Como Jacko usa uma solução para "enbranquecer" seu corpo duas vezes por semana, marcas são vísíveis quando seu pênis está ereto, segundo o ex-policial, que já viu fotos do membro.

"É como um poste de barbeiro", diz ele, que também relata a existência de círculos marrons. Rizzo nega a informação de que Jacko teria vitiligo.


Essa comparação é antológica.

Adoro meus colegas de profissão



Paintbrush, bela arma.

Domingo, Fevereiro 13

Melhores CD-Rs de 2004

Minha listinha de melhores do ano passado, pinçada entre a balbúrdia que foi minha playlist nesses últimos meses. Sem ordem de preferência:

- Arcade Fire, Funeral
- John Frusciante, Shadow Collide With People
- John Frusciante, Will To Death
- Wilco, A Ghost Is Born
- A.C. Newman, The Slow Wonder

Menção Honrosa: Stephen Malkmus, Pig Lib (que, na verdade, é de 2003)

Esse Arcade Fire promete, puta disco de estréia. Do Wilco, só alegrias, essa banda é meu novo xodó. A.C. Newman é um troço tão indie que chega a ser desconhecido pelos indies.

Já o Frusciante, esse sim é mestre. Perdi a conta de quantos discos ele lançou ano passado. Sério, acho que foram uns sete. E, porra, pelo menos esses dois são OBRAS-PRIMAS. Principalmente o Will To Death, irretocável. Recomendo EFUSIVAMENTE.

E, até agora, o melhor disco do ano é a trilha de The Life Aquatic. Seu Jorge mandando Life On Mars só no violão é de chorar. E tem Devo, meu Deus. Wes Anderson, esse safadinho.

Sábado, Fevereiro 12

"Eletrizante! Um dos melhores do ano." - Tupelo City News

Sempre quando vou a locadoras, surge a necessidade de possuir uma espécie de terminal portátil com acesso ao IMDB. Claro, palms e afins já servem, entre outras coisas, pra isso. Mas todas essas outras coisas não me interessam: quero acesso ao IMDB onde quer que eu esteja.

Tantos filmes potencialmente fantásticos sem que eu tenha tempo/disposição pra fuçar um a um. O IMDB serve pra lembrar que aquele diretor aparentemente desconhecido já dirigiu, cinegrafou, montou ou escreveu alguma coisa bacana anteriormente e, portanto, merece uma chance. Muitos filmes bons são vítimas de capas ruins, falta de divulgação, inaptidão dos donos de locadora na distribuição das prateleiras (hoje, por exemplo, achei Crime Verdadeiro, do Clint, em "AVENTURA"), traduções imbecis e atores MÁ IDÉIA.

Van Damme, por exemplo. Elencá-lo é o que eu chamaria de MÁ IDÉIA. Mas, apesar dele, um filme como Hell (dica do camarada Guilherme), dirigido pelo Ringo Lam, é muito melhor do que você poderia esperar. Normalmente eu não alugaria, mas uma simples referência ou recomendação pode te levar a caminhos surpreendentemente recompensadores.

Vou à locadora e vejo aqueles dez metros de prateleiras sob a categoria "aventura", e mais dez de "ação", e bate a preguiça. Será que este A Vingança do Grande Dragão Branco é mais uma daquelas bobagens pseudo-másculas e mal coreografadas ou é uma pérola do cinema esquecida sob o pó?

Quinta-feira, Fevereiro 10

Million Dollar Baby

Mais palhaçada aqui.

Mas, ei, não sou crítico de cinema. Aqui na empresa, escrever críticas de filmes é a atribuição menos acionada/considerada que exerço. E, além disso, não tenho formação suficiente nem pra escrever sinopses pra caderno de tevê. Preciso ver (muito) mais filmes, estudar (muito) mais, de preferência cursar uma faculdade. Só meu amor por cinema não sustenta um texto. Acho.

Isso não é humildade, é realismo.

Mas e daí, né? Leiam e critiquem, por gentileza.

Quarta-feira, Fevereiro 9

Xeque

O remake de Madrugada dos Mortos é massa pra caralho, eu adorei. Pode não ser um clássico como o original (aliás, que coisa chata essa de ficar procurando novos "clássicos"), mas deve render pelo menos um fruto fantástico: o promissor diretor Zack Snyder. Raro encontrar alguém que tenha uma estréia tão foda assim. (O que primeiro me veio à lembrança foi Ridley Scott, com o incrível Os Duelistas)

Ok, dito isso, nada me deixaria mais feliz do que isso. O cara deve dirigir a adaptação de 300 de Esparta, do Frank Miller. Se o mundo for justo e esse cara tiver o talento e o culhão que parece ter, mais um maravilhoso filme de gênero está a caminho.

E, porra, filmes de gênero só me dão alegria.

Aliás, espere só por Inglorious Bastards, filme de 2ª Guerra do Tarantino. Só digo alguns nomes: Adam Sandler, Bruce Willis, Michael Madsen, Sylvester Stallone. Xeque-mate.

Só não vi Ray, mas acho que não perdi muita coisa


Em Busca da Terra do Nunca
Conflito: depois de assitir ao filme, uma hora depois, um dia depois, que seja, vem uma dúvida. O que diabos tem nesse filme? Acontece que, durante a projeção, até que gostei. Após, não sobra quase nada. Quero crer que não gasto linhas demais tentando dizer que é um filminho descartável, mas não é esse exatamente o termo (na verdade, quero fugir de "termos"). É um derivado de Sociedade dos Poetas Mortos, aquele em que um adulto iluminado e de coração extraordinário surge na vida de um grupo de jovens e muda suas vidas pra sempre. A premissa é tão batida e tão ordinária, mas por que ainda faz efeito aqui? Fora o fato de eu ser um manteiga incorrigível, há dois fatores: Johnny Depp e metalinguagem. O primeiro pela constante sensação de que, em algum momento, ele vai ser o ator de sempre, histriônico e, hum, "estranho". Desista, ele segue estranhamente contido até o fim, o que não deixa de ser interessante (ainda que, caramba, ele realmente não mereça uma indicação ao Oscar). O outro fator é essa brincadeira com a origem de Peter Pan. Gosto dessa abordagem, que se ocupa da periferia de um grande Fato - no caso, a obra clássica coisa e tal. Fora esses raquíticos pontos de interesse, nada muito animador aqui. E fiquei decepcionado com o final, acho que terminar com a caminhada de Kate Winslet pelo jardim onírico seria brilhante. Pena, Marc Forster. Vai ser difícil cê superar a foderosidade que é A Última Ceia.

Sideways
Ok, junto com o próximo, os meus dois filmes do ano até agora. Nessas horas é que aquela separação tosca nas categorias do Globo de Ouro se torna perdoável. Sideways é daqueles filmes em que bastaria dizer, num mundo civilizado e gentil: é sobre Miles, Jack, Maya e Stephanie (ok, esta última nem tanto), que são pessoas tão reais quanto você e eu; veja logo e me conte depois. Certo, esse argumento de realidade é muito estúpido, reconheço, mas não consigo pensar em nada mais imediato pra comunicar o que quero dizer. São pessoas reais: eles reagem de forma humana a acontecimentos tão absurdos e desventurosos quanto os da vida diária. Paul Giamatti e Thomas Haden Church juntos em cena são uma coisa de louco. Hilários e comoventes, as duas coisas perigosamente ao mesmo tempo, fiquei com uma dor de cabeça benigna por dias, e dura até hoje, encontrar esses caras foi uma das melhores experiências dos últimos tempos. "Se alguém pedir um Merlot, eu vou embora!" Chorei.

Million Dollar Baby
Clint é mestre, simples assim. Sobre Meninos e Lobos já tinha sido mais do que meu coraçãozinho cinéfilo podia aguentar. Com esse, devo ter entrado numa espécie diferente de coma, um em que a consciência não dorme, e que o acesso aos sentimentos parece encurtar. Não se engane: o filme parece que é sobre a determinada mulher que deseja se tornar boxeadora, mas na verdade é principalmente sobre o homem que hesitantemente aceita treiná-la. É um filme carregado de marcas passadas que se acumulam sobre a pele dos personagens, como chagas silenciosas sob sombras. Clint filma o envelhecer: que espécie de sentimento se acumula com o tempo no interior do homem? Camadas e camadas de arrependimentos e culpas sobrepostas ano após ano. Frankie, personagem de Clint, é um cravo metálico fincado na areia, enferrujando a olhos vistos. O que faz com que ele continue fincado ali? O que faz com que continuemos? Filme devastador, absurdamente seguro de si. A trinca de atores é até covardia. Minha grande aposta (e torcida) no Oscar. Clint é mestre, simples assim.

Terça-feira, Fevereiro 8

#9

Meu bonsai sou eu mesmo.