Doze Homens e Outro SegredoInteressante como todo o delicioso senso de irresponsabilidade do primeiro filme foi posto de lado - deveriam avisar em algum lugar do cartaz. Agora a gangue de simpáticos marginais parece mais o bando de devedores com nome sujo no SPC mais bem vestidos do pedaço. Continua sendo um "filme de golpe" (mais uma mutação do subgênero, na verdade), mas dessa vez não dá tanta vontade de rir junto, já que somos tão ou mais enganados que os antagonistas do filme. Os acertos são mais ou menos os mesmos do anterior: triunfo de casting (ainda que muito sub-utilizado), diálogos inteligentes, humor cínico. Muito embora esse cinismo predominante, ausente principalmente no personagem de Matt Damon, prejudique por completo o relacionamento dos personagens de Brad Pitt e Catherine Zeta-Jones. Esta, aliás, a melhor coisa de todo filme. Não que atue particularmente bem, diga coisas engraçadas nem nada disso. Só a presença dessa mulher em qualquer centímetro de película já valoriza um filme a ponto de se tornar obrigatório assistí-lo.
Bob Esponja - O FilmeFico imaginando o que ficará retido na mente das criancinhas que viram comigo esse filme na matinê, lá na Penha. O nível de nonsense a que essas jovens mentes foram submetidas me deixa no mínimo menos pessimista quanto ao futuro da humanidade. Desde a abertura, digna de uma hipotética incursão do Monty Python nas histórias infantis, até as piadas doentias e histericamente executadas (nada supera Patrick com uma bandeira enfiada no rabo ou o porre de sorvete), esse desenho é de uma coragem impressionante. O fato dessa maravilha demente
ter dado lucro (bilheteria de quase $100 milhões) é pelo menos um modesto sintoma de que não estamos perdidos ainda. Em momentos de tristeza, basta lembrar da fala "Eu sou DAVID HASSELHOFF!" que tudo ficará bem.
ColateralMeu thriller favorito do ano passado, sem dúvida. Michael Mann é um diretor que se dá muito bem em ambientes urbanos (veja
Fogo Contra Fogo ou
O Informante, por exemplo); mais até do que habilidade em captar essas atmosferas acizentadas das grandes cidades, cada cena filmada por ele mostra um verdadeiro amor por aquelas paisagens. A belíssima fotografia de
Colateral não pode ser menos do que uma declaração de amor a Los Angeles. Isso, somado ao elenco absolutamente perfeito, faz do filme uma pequena jóia. Cinemão e arte conjugados com perícia. O embate entre os personagens de Cruise e Foxx é impressionante; note como, à medida que a noite avança, o impacto que um provocou no outro fica evidente através de pequenos sinais - uma fala de Vincent que Max repete sem querer, uma hesitação típica de Max em Vincent, que normalmente não a cometeria. Esse duelo de personalidades é fantástico. Sem contar o detetive de
Mark Ruffalo - esse cara é um dos meus jovens atores favoritos, absurdamente versátil.