Dançando comigo mesmo
Uma boa companhia nunca é dispensável, mas ver filmes sozinho sempre foi um prazer. Hoje fiz típica sessão cinema-almoço-cinema (Castelo Animado, nhoque ao molho quatro queijos e Penetras Bom de Bico), do tipo que faço há um bom tempo. É ótimo sair do cinema sem que sua opinião seja requisitada. Com filmes ruins isso não chega a ser um problema, pois a única forma de tolerar sua existência é falando mal deles. Já com os bons é diferente. Falar sobre eles imediatamente depois de assistí-los parece diluir a experiência. Pelo menos pra mim. É como se fossem parasitas que se alojassem no meu sangue. Tenho que deixá-los crescer e se habituar à nova casa. Depois, estão a salvo de mim mesmo. Acho que a maioria dos cinéfilos têm pelo menos algumas centenas desses parasitas circulando na corrente sanguínea, disputando corridas e mastigando cérebros e tecidos.
