Clô e suas egotrips
No caso, é o programa de Clodovil Hernandez.
Não assisto inteiro, antes que alguém pergunte. Já seria demais. Mas tento sempre não perder o início, em que Clô fala com o espelho. Pelo menos é o que os caracteres gerados eletronicamente na tela me dizem: "Clodovil de frente para o espelho."
A câmera fixa, Clô sentado numa escrivaninha estilo século XVIII (sei lá) com o retrato de sua falecida mãe em lugar de destaque, cenário de fundo de gesso pintado em cores quentes, mas suaves. Músicas finas na trilha sonora. Nada mais simples, nada mais direto. Não é à toa que ele se considera o ápice do bom gosto na tevê brasileira.
Mas o mais engraçado da coisa toda é que ele realmente parece falar com um espelho. Não há a mínima preocupação em dirigir seu discurso a alguém além de si mesmo. Ele fala em código; muda de assunto bruscamente, para outro sem qualquer relação com o anterior; faz caras melífluas, como quem tenta seduzir a si mesmo; engrena críticas a terceiros disfarçadas de autocríticas.
E é divertidíssimo.
Clodovil: um mestre da egotrip.
Ao vivo, de segunda a sexta.


